sexta-feira, 22 de julho de 2011

Eis que estou à porta e bato

“ Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” Apocalipse 3:20

Certamente que este versículo tem sido usado com frequência por muitos pregadores e evangelistas em sermões evangelísticos, que fazem “apelo” ou “convite” ao arrependimento dos pecados. De fato, a imagem de Cristo batendo à porta de um coração é algo comovente.
No entanto, se repararmos bem no contexto em que este texto está inserido, a conversa é outra. O texto faz parte de uma das cartas de João, no Apocalipse, para as sete igrejas da Ásia, como era conhecida a península da Anatólia, onde hoje está localizada a maior parte do território da Turquia.  Leiamos o texto:

14  Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
15  Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
16  Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;
17  pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.
18  Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
19  Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
20  Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
21  Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.
22  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.(Ap 3:14-22)

É a carta à Igreja de Laodiceia, uma carta dura para uma igreja emperdenida. Não há aí nada de fácil, ao contrário, o Senhor convida esta Igreja ao arrependimento de seus pecados. Uma igreja morna em suas obras, ou seja, uma igreja que não tinha um real compromisso com Jesus Cristo. E o que faltava a ela? Faltava Cristo! Sim, faltava a real e verdadeira presença do Senhor no meio dela.
Hoje, muitas igrejas cristãs são cemitérios espirituais, cheias de membros e cheias de atividades, mas sem gente nascida de novo, sem gente regenerada, verdadeiramente salva. E por quê? Porque nestas comunidades não se tem pregado o Evangelho da Graça e da Salvação unicamente em Cristo. Muitos estão preocupados apenas com crescimento numérico (e do numerário...), pregando prosperidade e cura divina, não a salvação.
E é também um retrato das igrejas liberais que, em nome de seu apego às coisas deste mundo e aos reflexos da pós-modernidade, onde tudo é relativizado, deixaram de lado a ideia de conversão e mudança de caminhos como proposta aos pecadores.
A Igreja de Laodiceia bem poderia ser chamada de Igreja "à brasileira". É uma pena. Mas eis que o próprio Salvador está à porta, batendo, convidando-nos a entrar em nossa casa e ter intimidade conosco. Ele que ter o lugar de proeminência que tem que ter na vida da Igreja. Uma igreja cristã em que o Senhor está ausente é morna, vazia de significado e não tem relevância na vida da Sociedade. Ontem eu lia partes do livro “A Democracia na América”, de Alexis de Tocqueville, em que ele analisava a importância do Cristianismo na vida social e política dos Estados Unidos no século XIX. Uma religião que afirmava a liberdade de consciência e de crença, mas que não abria mão daquilo que era essencial. Hoje, lá e aqui, muitos líderes cristãos fazem qualquer negócio em nome de reconhecimento por parte dos homens.
É tempo de avivamento! É tempo de ter restaurada na Igreja a presença viva do Senhor. Muitos acham que avivamento é deixar de lado o Livro de Oração Comum, o hinário, o coral, as vestes...nada disso adianta. De nada adianta uma mudança na forma do culto se não há uma mudança  no coração e na postura. Avivamento é Deus vindo ao nosso encontro, Ele está na porta, batendo. Deixemos que Ele entre.

Rev. Virgilio Torres

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